Mas uma vez sinto a necessidade de voltar ao blog. Quero deixar registrado algo que me abalou. Na sexta-feira retrasada meu gatinho Lucas chegou em casa muito triste e me perguntando se ele seria "preso" se me contasse algo. Estranhei e perguntei o por que daquilo, e ele logo começou a chorar e dizer que queria voltar para o Brasil. Fiquei muito apreensiva e sem entender o que se passava na cabecinha dele, quando comecei a conversar e tentar entender o que se passava.
Lucas é uma criança muito esperta e querida por todos, já está falando Inglês com tão pouco tempo, isso me alegra muito e fico babando quando vejo meus filhotes falando, acho lindo... Mas conversando com ele e tentando acalmá-lo, ele começou a me contar o que tanto o deixava angustiado. Ele falou que não tinha coragem de contar para o pai, pois uma pessoa do day care havia dito que se ele contasse ele seria preso pela polícia! Nesse momento, muitas coisas se passaram em minha cabeça...enfim, ele resolveu contar, mesmo estando com muito medo.
Quando o tempo está bom, as crianças do day care vão ao play ground se divertir um pouco. Ele foi brincar com um carrinho que gosta muito, mas um coleguinha foi mais rápido para provocar e eles discutiram. A tal pessoa que cuidava das crianças viu aquilo e no lugar de pedir para ele ir brincar com outra coisa, ou em outro lugar, não: pegou meu filho pelo braço e apertou tanto que deixou as marcas das unhas. Não satisfeita, colocou-o sentado de castigo e ele, como qualquer criança, ficou chorando. A "pessoa" disse para ele chorar longe del e, como ele não e disse que me contaria, ela pegou o celular e ameaçou ligar para a polícia, para prendê-lo!!! Em todo momento ela ficou o assustando, dizendo que seu celular só fazia ligações para a polícia. Preciso comentar algo?
Enquanto me contava, Lucas chorava muito e dizia que não gostava mais do Canadá, pois aqui só tinha gente safada e má! No Brasil, ninguém nunca havia feito mal a ele. Me senti tão culpada que acabei chorando com ele, pois havia saído do Brasil por tantos motivos e nunca imaginaria que meu filhos um dia passassem por isso. Me senti totalmente responsável por tudo o que aconteceu com ele. Por mais que tentasse explicar, não consegui fazer com que ele entendesse que aquilo foi um caso isolado e que não ficaria impune.
Na segunda-feira, fomos ao day care e contamos o que aconteceu para a diretora. Lucas acabou aparecendo lá e ela perguntou para ele sobre o acontecido. Como eu havia dito que não tivesse medo, Lucas confirmou todo o acontecimento e tentou descrever a pessoa, que pôde ser identificada. Informamos à diretora que, caso ela não tomasse as providências que gostaríamos, iríamos dar queixa na polícia, pois aqui é muito sério este tido de acontecimento.
Ela optou por apenas conversar com a funcionária, que jurou não ter feito nada daquilo... Perdemos a confiança e estamos procurando outra opção para deixar os meninos. Ainda bem que temos uma amiga que trabalha neste day care (na sala de Gabi) e Lucas ainda confia nas instrutoras de sua antiga sala, onde ele tem ficado nos últimos dias.
Este relato é para mostrar que nem tudo é perfeito, e que tudo na vida pode acontecer, seja com os meus, ou com os seus!!! Cuidado ao escolher onde deixar seus filhos!!!
terça-feira, 15 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Vídeos institucionais sobre Calgary
Hoje recebi um e-mail com links para dois vídeos institucionais muito interessantes sobre Calgary. Divulgados pelo Calgary Economic Development (CED), uma agência de fomento ao desenvolvimento da cidade, os vídeos são muito bem produzidos e são uma ótima fonte para quem quer conhecer melhor a cidade.
(Se funcionar como o previsto, ao clicar nos links será aberto o Media Player e os vídeos começarão automaticamente).
Vídeo 1: Calgary - The Heart of The New West (http://www.calgaryeconomicdevelopment.com/assetGalleryFiles/video/4216875189052275.mpg)
Vídeo 2: Calgary Works (http://www.calgaryeconomicdevelopment.com/assetGalleryFiles/video/9340524460109653.wmv)
(Se funcionar como o previsto, ao clicar nos links será aberto o Media Player e os vídeos começarão automaticamente).
Vídeo 1: Calgary - The Heart of The New West (http://www.calgaryeconomicdevelopment.com/assetGalleryFiles/video/4216875189052275.mpg)
Vídeo 2: Calgary Works (http://www.calgaryeconomicdevelopment.com/assetGalleryFiles/video/9340524460109653.wmv)
sábado, 8 de março de 2008
Tipos de Emprego no Canadá
Esta é para quem está vindo para trabalhar na iniciativa privada e não sabe exatamente o que é o trabalho aqui. As relações trabalhistas são muito flexíveis, como já abordei no post Direitos Trabalhistas em Alberta e há inúmeras modalidades de trabalho, como pode ser visto na figura abaixo (é só clicar que ela amplia e dá pra ler). MUITA gente trabalha por contrato, o que também está ficando muito comum no Brasil, mas com cara de jeitinho brasileiro, com o governo tentando sempre garfar mais imposto de qualquer forma. Aqui, o trabalho por contrato (o camarada é na verdade um prestador de serviço, que emite uma fatura pelo servisto prestado) é uma forma lícita e opção de cada vez mais trabalhadores.
Vejam o monte de formas de trabalho e tirem suas próprias conclusões sobre o que será melhor para você!

Vejam o monte de formas de trabalho e tirem suas próprias conclusões sobre o que será melhor para você!

Abraços!
sexta-feira, 7 de março de 2008
Food Hamper
Aqui no Canadá o imigrante e a população de baixa renda podem contar com assitência de diversas formas. Há agências que dão orientação sobre quase tudo no processo de adaptação, há programas para ajudar a procurar emprego, apoio para abrir empresa, assitentes sociais, curso de inglês gratuito etc. A maioria é financiado pelo Governo, já que é o governo que estimula a imigração e a integração é um fator crucial para o programa.
Mas há ajuda também de entidades não governamentais, como o Interfaith Food Bank, que angaria doações de comida e a distribui entre o pessoal de baixa renda. Como o imigrante normalmente chega aqui sem emprego, não tem renda e é elegível (nestes casos) à ajuda alimentação. Cada família tem direito a 6 "food hampers" por ano, com intervalo mínimo de 30 dias.
Imaginou uma cesta básica, certo? Pois é bom ter um porta-malas bem grande para caber a quantidade de comida que é oferecida. Para vocês terem uma idéia, segue a lista das coisas que vieram no último food hamper que pegamos:
Mas há ajuda também de entidades não governamentais, como o Interfaith Food Bank, que angaria doações de comida e a distribui entre o pessoal de baixa renda. Como o imigrante normalmente chega aqui sem emprego, não tem renda e é elegível (nestes casos) à ajuda alimentação. Cada família tem direito a 6 "food hampers" por ano, com intervalo mínimo de 30 dias.
Imaginou uma cesta básica, certo? Pois é bom ter um porta-malas bem grande para caber a quantidade de comida que é oferecida. Para vocês terem uma idéia, segue a lista das coisas que vieram no último food hamper que pegamos:
- Suco de laranja - 2 caixas de 2l
- Suco de laranja - 14 caixas de 200ml
- Suco de laranja em pó - 1 pacote para 2L
- Sucos variados em pó - 10 pacotes para 1L cada
- Água com gás - 12 garrafas de 1l
- Leite desnatado 2L - 3
- Torta de abóbora - 1 caixa com 6
- Biscoitos doces - 2 pacotes
- Biscoito de milho - 1 pacote de 100g
- Biscoito recheado - 1 pacote de 275g
- Barra de cereal - 2
- Iogurte de soja - 12 potes de 175g e 2 de 440g
- Leite em pó para café - 1 frasco de 450g
- Pó para chocolate quente - 1 lata de 500g
- Pasta de amendoim - 2 frascos de 1kg
- Pão de forma - 6 pacotes
- Atum em lata - 4 latas de 170g
- Frango em lata - 1 lata de 356g
- Sopas em lata - 6 latas de 284ml
- Feijão em lata - 3 latas de 398ml
- Molho de tomate - 3 latas de 680ml
- Pasta de tomate - 1 lata de 156ml
- Molho para frutos do mar - 1 lata
- Saussa para Taco - 1 envelope
- Caldo Knorr - 1 caixa com 16 tabletes
- Molho barbecue - 1 lata de 455ml
- Tomate em lata - 3 latas de 800ml
- Pimentão verde em natura - 2 sacos de 2,27kg
- Pimentão vermelho em natura - 1 saco de 2,27kg
- Tomate em natura - 1 saco de 2,27kg
- Batata - 1 saco de 2,27kg
- Alface em natura - 3
- Picles - 1 vidro de 250ml
- Macarrão instantâneo - 3 pacotes
- Penne - 1 pacote de 454g
- Fusili - 1 pacote de 900g
- Espaguete - 1 pacote de 500g
- Rigatone - 1 pacote de 900g
- Macarroni and cheese - 2 caixas de 225g
- Refeição de arroz - 2 caixas de 225g
- Chocolate - 3 barras de 96g
- Cereal matinal - 3 pacotes de 500g
- Margarina - 1 pote de 454g
- Carne moída - 2 pacotes de 500g
- Ovos - 2 dúzias
- Queijo chedar em fatias - 3 pacotes de 500g
- Ricota - 2 potes de 500g
- Vinagre - 1 garrafa de 500ml
- Baunilha em pó - 6 envelopes
- Papel higiênico - 2 rolos
Para dar uma idéia mais visual, segue foto.
Direitos Trabalhistas em Alberta
Para quem não sabe, o Canadá é um país tipicamente de direita, politicamente falando. Esquerda, por aqui, é só algo não tão à direita. Isto posto, é fácil notar e compreender que quase tudo aqui gira em torno de dinheiro. Nas relações trabalhistas, esta característica mostra-se bastante evidente.
Estou participando de um programa para melhorar a empregabilidade de imigrantes no Canadá, na agência de apoio à imigração Catholic Immigrant Aid Society, onde vários aspectos da empregabilidade são abordados. Vemos desde como formatar o currículo (résumé, como é chamado aqui; CV é outra coisa), cartas de apresentação, como achar e abordar empresas, diferenças culturais etc. Consultores e palestrantes externos são convidados.
Esta semana tivemos um pessoal da Calgary Workers' Resource Centre, uma ONG que defende os direitos dos trabalhadores da região. O foco foi nos direitos dos trabalhadores e a reação geral da turma foi de completo desamparo, com relação aos nossos países de origem. Eu sabia que a legislação trabalhista não era muito amarrada por aqui, mas mesmo assim me surpreendi. Tudo o que o governo (provincial) rege sobre legislação trabalhista está sob o Emplyment Standards Code. Eis alguns pontos que achei bastante relevantes.
(Antes de ler, tenham em mente que várias empresas dão condições melhores e benefícios não obrigatórios, como forma de reter o empregado ou dar-lhe melhores condições de trabalho (e assim gerar mais lucros!!!). Vamos lá:)
Estou participando de um programa para melhorar a empregabilidade de imigrantes no Canadá, na agência de apoio à imigração Catholic Immigrant Aid Society, onde vários aspectos da empregabilidade são abordados. Vemos desde como formatar o currículo (résumé, como é chamado aqui; CV é outra coisa), cartas de apresentação, como achar e abordar empresas, diferenças culturais etc. Consultores e palestrantes externos são convidados.
Esta semana tivemos um pessoal da Calgary Workers' Resource Centre, uma ONG que defende os direitos dos trabalhadores da região. O foco foi nos direitos dos trabalhadores e a reação geral da turma foi de completo desamparo, com relação aos nossos países de origem. Eu sabia que a legislação trabalhista não era muito amarrada por aqui, mas mesmo assim me surpreendi. Tudo o que o governo (provincial) rege sobre legislação trabalhista está sob o Emplyment Standards Code. Eis alguns pontos que achei bastante relevantes.
(Antes de ler, tenham em mente que várias empresas dão condições melhores e benefícios não obrigatórios, como forma de reter o empregado ou dar-lhe melhores condições de trabalho (e assim gerar mais lucros!!!). Vamos lá:)
- Os pagamentos podem ser feitos com intervalo máximo de 1 mês. Após 10 dias de atraso, o empregado pode reclamar junto à Employment Standards Comission.
- O salário mínimo de Alberta é 8.00CND/hora, sendo que o próprio governo admite que a renda mínima adequada para sobrevivência é 12.50CND/hora para um indivíduo (sem dependentes).
- Horas extras são cabíveis depois de 8 horas trabalhadas em um dias ou se a carga semanal ultrapassar 44 horas. Qualquer cargo de gerência ou supervisão é INelegível a hora extra (daí o cara ser logo promovido à "gerente" depois de pouco tempo de trabalho no McDonald's...). Ganhou o termo "manager" na função, bye-bye hora extra.
- O turno máximo de trabalho é de 12 horas, com intervalo mínimo de 8 horas entre turnos e pausas para descanso durante.
- Depois de 30 dias de trabalho numa mesma empresa, o empregado não será descontado se houver um feriado num dia onde estaria supostamente trabalhando (antes disso, disconta o feriado!).
- Férias são opcionais. A cada mês vem um desconto de 4% no contra-cheque. Depois de uma ano, o empregado escolhe se quer tirar as férias de 2 semanas e receber a grana ou se quer trabalhar e receber a grana.
- Para se demitir um empregado, a empresa tem que dar uma notificação de 1 a 5 semanas (equivalente ao aviso prévio do Brasil), dependendo do tempo de empresa. Também como no Brasil, muitas empresas optam por pagar o aviso e liberar o empregado. Se o empregado quiser sair, a boa prática recomenda uma notificação de duas semanas.
- Detalhe: há diferença entre o empregado ser "fired" (o empregado é demitido por performance ou outro fator inerente a ele próprio) ou ser "laid-off" (o empregado é desligado por falta de serviço, reestruturação ou outro fator inerente à empresa).
- As mães têm direito a licença-materniadade de 15 semanas. Depois disso, a mãe OU o pai pode tirar uma licença remunerada de até 35 semanas. Contudo, o valor que o governo paga é limitado a 55% do salário ou 1.650,00CDN por mês, o que for menor. O empregado pode optar por não usufruir da licença ou usá-la parcialmente. Esta é uma das poucas situações onde não se pode demitir um funcionário.
- Esqueça atestado médico. Faltou, descontou, não importa o motivo.
- Caso o empregado deixe de trabalhar por acidente de trabalho ou LER, o governo banca 90% do salário, mas pode esperar uma pressão enorme para voltar logo ao batente. A burocracia é grande e uma agência como a CWRC pode ajudar. Quem paga é o Workers' Compensation Board (WCB). Durante o período de reabilitação, também não é permitido demitir o empregado.
- Todo mês vem um percentual descontado no contra-cheque a título de seguro-desemprego (Empolyment Insurance, EI). De novo, o valor é limitado a 55% do salário ou 1.650,00CDN por mês, o que for menor. O benefício é pago por no máximo 35 semanas e há uma série de restrições (o governo monitora se o beneficiário está realmente procurando outro emprego e outras coisas). Outra coisa: se o sujeito for "laid-off", pode ser que consiga o EI. Se for "fired" dificilmente conseguirá. Se pedir demissão, sem chance.
Perguntei se em outras províncias a coisa era diferente, mas a resposta foi negativa. É mais ou menos assim em todo o Canadá.
Outro assunto relativo a trabalho diz respeito às modalidades de emprego aqui no Canadá, mas será abordado em outro post (já publicado!).
Abraços!
domingo, 2 de março de 2008
Bairros de Calgary
Para quem quer conhecer melhor Calgary, recomendo investir um tempinho no site http://www.calgaryarea.com/. Nele vocês vão ver muita informação sobre cada um dos bairros da cidade (serviços, mapas, centros comunitários, escolas, serviços de transporte etc.).
Outra fonte de informação sobre os bairros, só que mais técnica, é a Wikipedia. Ela trás uma lsita completa dos bairros e informações geopolíticas. Vejam o que tem lá sobre nosso bairro, Glenbrook.
Abraços!
Outra fonte de informação sobre os bairros, só que mais técnica, é a Wikipedia. Ela trás uma lsita completa dos bairros e informações geopolíticas. Vejam o que tem lá sobre nosso bairro, Glenbrook.
Abraços!
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Salvador no New York Times
Esta é em homenagem aos grandes amigos que fizemos nos quase 2 anos que moramos em Salvador, Bahia. É um artigo do Larry Rother (lembram dele, que chamou o Lula de pinguço?) saiu hoje no New York Times e é um primor de clareza e enaltecimento desta grande cidade.
Todo o texto faz referência à obra de Jorge Amado e destaca inúmeros aspectos interessantes de Salvador. É uma ótima leitura!
http://travel.nytimes.com/2008/02/24/travel/24footsteps.html
Abraços!
Todo o texto faz referência à obra de Jorge Amado e destaca inúmeros aspectos interessantes de Salvador. É uma ótima leitura!
http://travel.nytimes.com/2008/02/24/travel/24footsteps.html
Abraços!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Sentimentos após 3 meses
Pela segunda vez estarei dando pitaco em nosso blog...rs
Quero falar mas uma vez de sentimentos.
Já se vão 3 meses nessa nova empreitada, e tantas coisas já aconteceram, tantos amigos já fizemos e nada é como estar no Brasil, mesmo com tantos problemas no país, ainda sim, sinto saudades, saudades de quem deixei, saudades do que deixei!!! Muitas vezes me peguei fazendo perguntas. Por que aqui e não lá? O que procuro? O que desejo? O incrível é descobrir que para cada pergunta existe uma resposta, sempre muito clara e concreta aos olhos, dos que estão aqui e dos que pretendem estar um dia!
Trocar o Brasil pelo Canada é algo muito forte, pois mesmo estando aqui, amo meu país, mas não posso negar que esta experiência é maravilhosa!!! Calgary é um lugar lindo, muito bom para se viver, se construir...
Se eu fosse contar cada detalhe vivido aqui desde que chegamos, ninguém mas iria para outro lugar que não fosse Calgary...Quero dizer que meu coração se apaixonou por este lugar, e pelo o que vejo, de meus filhos também, eles tiveram seus corações fisgados por esta cidade. Saibam por que: Um belo dia perguntei para eles: "Vamos voltar para o Brasil?". Resposta: "Volte sozinha".
Agora acho que vocês podem imaginar o porque de tudo isso, mas se quiserem ter certeza leiam os blogs da galera que mora por aqui.
Já tive meus momentos desespero, pois é ruim ter um inglês macarrônico, nas horas que mais se precisa, ao mesmo tempo, é muito legal ver como as pessoas são solícitas não apenas na hora da necessidade, mas em todos os momentos. Meu primeiro desespero foi, "ai meu Deus, meu anticoncepcional está acabando, quem vem do Brasil para trazer para mim?" Enfim, ninguém estava vindo nesta época. Foi então quando decidi ir na clínica indicada por uma amiga que mora em Calgary há muitos anos, afinal tinha que ser lá, pois ainda não temos o tão falado médico de família. Acabei indo, aproveitamos a deixa, pois Renato estava meio adoentado, fomos a família inteira. Chegando lá, ainda esperamos mais de 3 horas para sermos atendidos, sempre com a preocupação da frieza do médico do dia, mas para nossa surpresa, fomos super bem atendidos, acho que o tal médico de família ficará para próxima geração.
Meu segundo desespero foi ontem, precisei ir ao médico, pois a doente da vez era eu...rs, dessa vez esperamos bem menos e logo fui atendida por uma médica bem simpática e risonha, me examinou bastante (acho que estudou no Brasil, pois me apertou igual fazem por lá...). Brincadeira!!! Estou com uma virose, algo de novidade para vocês? Já ouviram isso em algum lugar? Bem, é isso mesmo, virose!!!
Quando estávamos indo para o carro, senti um pouco de calor e acabei não colocando o casaco de frio, quando entramos no carro, nossa! me senti no Brasil, o carro estava quente demais, era o CALOR...pois é, ele está por vir, afinal para terra do gelo, dez graus positivos é calor.
As vezes fico pensando, poxa no Brasil eu podia pegar meu carro é ir ao shopping, podia pegar meu carro é ir a casa de uma amiga. Não poder fazer isso também me dá desespero, pois aqui não posso mais dirigir com minha carteira do Brasil, pois já venceu, então terei que fazer a prova que tanto reprova a galera, e sei que não estou preparada para isso, terei que estudar todo livreto.
Depois que eu conseguir fazer aqui tudo que eu fazia no Brasil, vou me sentir melhor, pois tenho percebido com o passar do tempo que os desesperos vão sumindo a cada momento que acabamos conseguindo fazer algo sozinho. Já faço quase tudo sozinha, consigo comprar, andar pela cidade, me localizo legal, ando de ônibus para onde preciso. O ônibus só é ruim quando eu me atraso ao sair da escola de Inglês, pois os transportes de Calgary são pontuais e tenho que estar de olho nos horários. Um minuto de atraso, significa que ficarei no frio esperando pelo menos de 20 a 30 minutos na parada pelo próximo ônibus e, se estiver frio, tenho que estar preparada e tranquila, caso contrário, mas um desespero.
Ontem não fui a escola de Inglês, pois tinha mais um dia de dispensa médica, então o que fiz, fui com meu maridão resolver algumas coisas e depois voltei para casa, para mais um desespero: arrumar a casa! Nunca senti tanta falta de Tereza (para quem não teve a oportunidade de conhecer, Tereza foi nossa empregada pelo tempo que moramos em Salvador, uma pessoa muito boa, que durante estes anos cuidou muito bem de nós e de nossa casa, uma Baiana "arretada", que cozinhava como ninguém), mas agora o vidão acabou, tenho que arrumar a bagunça de toda a família, tirar os brinquedos no meio da casa, as camas, separar roupas que já haviam sido lavadas. Ufa, é coisa viu galera!!!
Depois fiz algo que gosto muito, entrei no msn para teclar com meus amigos e familiares, um momento de matar um pouco da saudade que sinto. Acho que não sinto mais por que estou sempre falando com meus pais e meus irmãos, fica faltando um que é sempre o mais atarefado, mas mesmo sem estar falando sempre, ele sabe que meu coração é sempre da família.
Tenho estado feliz também, pois vou ganhar mais uma sobrinha, "CLARA", mais uma mocinha que vem para alegrar a família "DAVIM", assim a nossa família cresce e cada fez mais se enche de alegria.
Acreditem, o meu maior desespero acabou: era com relação aos meninos. Tinha medo de como eles reagiriam por estar longe de tudo que estavam acostumados, mas para a nossa grande surpresa, eles estão amando, se adaptaram com muita facilidade, adoram ver coisas diferentes, estão curtindo aprender o Inglês, já brincam falando o pouco que já sabem, e isso para mim é um facilitador, assim posso ficar mais tranquila, deixá-los na escola sem estar me preocupando sobre como eles estão passando o dia e outras preocupações de mãe boba.
Bom, por hoje chega, acho que todos estão cansados de ler tanta besteira, mas podem ter certeza, isso sempre acaba sendo a preocupação de todos.
Quero falar mas uma vez de sentimentos.
Já se vão 3 meses nessa nova empreitada, e tantas coisas já aconteceram, tantos amigos já fizemos e nada é como estar no Brasil, mesmo com tantos problemas no país, ainda sim, sinto saudades, saudades de quem deixei, saudades do que deixei!!! Muitas vezes me peguei fazendo perguntas. Por que aqui e não lá? O que procuro? O que desejo? O incrível é descobrir que para cada pergunta existe uma resposta, sempre muito clara e concreta aos olhos, dos que estão aqui e dos que pretendem estar um dia!
Trocar o Brasil pelo Canada é algo muito forte, pois mesmo estando aqui, amo meu país, mas não posso negar que esta experiência é maravilhosa!!! Calgary é um lugar lindo, muito bom para se viver, se construir...
Se eu fosse contar cada detalhe vivido aqui desde que chegamos, ninguém mas iria para outro lugar que não fosse Calgary...Quero dizer que meu coração se apaixonou por este lugar, e pelo o que vejo, de meus filhos também, eles tiveram seus corações fisgados por esta cidade. Saibam por que: Um belo dia perguntei para eles: "Vamos voltar para o Brasil?". Resposta: "Volte sozinha".
Agora acho que vocês podem imaginar o porque de tudo isso, mas se quiserem ter certeza leiam os blogs da galera que mora por aqui.
Já tive meus momentos desespero, pois é ruim ter um inglês macarrônico, nas horas que mais se precisa, ao mesmo tempo, é muito legal ver como as pessoas são solícitas não apenas na hora da necessidade, mas em todos os momentos. Meu primeiro desespero foi, "ai meu Deus, meu anticoncepcional está acabando, quem vem do Brasil para trazer para mim?" Enfim, ninguém estava vindo nesta época. Foi então quando decidi ir na clínica indicada por uma amiga que mora em Calgary há muitos anos, afinal tinha que ser lá, pois ainda não temos o tão falado médico de família. Acabei indo, aproveitamos a deixa, pois Renato estava meio adoentado, fomos a família inteira. Chegando lá, ainda esperamos mais de 3 horas para sermos atendidos, sempre com a preocupação da frieza do médico do dia, mas para nossa surpresa, fomos super bem atendidos, acho que o tal médico de família ficará para próxima geração.
Meu segundo desespero foi ontem, precisei ir ao médico, pois a doente da vez era eu...rs, dessa vez esperamos bem menos e logo fui atendida por uma médica bem simpática e risonha, me examinou bastante (acho que estudou no Brasil, pois me apertou igual fazem por lá...). Brincadeira!!! Estou com uma virose, algo de novidade para vocês? Já ouviram isso em algum lugar? Bem, é isso mesmo, virose!!!
Quando estávamos indo para o carro, senti um pouco de calor e acabei não colocando o casaco de frio, quando entramos no carro, nossa! me senti no Brasil, o carro estava quente demais, era o CALOR...pois é, ele está por vir, afinal para terra do gelo, dez graus positivos é calor.
As vezes fico pensando, poxa no Brasil eu podia pegar meu carro é ir ao shopping, podia pegar meu carro é ir a casa de uma amiga. Não poder fazer isso também me dá desespero, pois aqui não posso mais dirigir com minha carteira do Brasil, pois já venceu, então terei que fazer a prova que tanto reprova a galera, e sei que não estou preparada para isso, terei que estudar todo livreto.
Depois que eu conseguir fazer aqui tudo que eu fazia no Brasil, vou me sentir melhor, pois tenho percebido com o passar do tempo que os desesperos vão sumindo a cada momento que acabamos conseguindo fazer algo sozinho. Já faço quase tudo sozinha, consigo comprar, andar pela cidade, me localizo legal, ando de ônibus para onde preciso. O ônibus só é ruim quando eu me atraso ao sair da escola de Inglês, pois os transportes de Calgary são pontuais e tenho que estar de olho nos horários. Um minuto de atraso, significa que ficarei no frio esperando pelo menos de 20 a 30 minutos na parada pelo próximo ônibus e, se estiver frio, tenho que estar preparada e tranquila, caso contrário, mas um desespero.
Ontem não fui a escola de Inglês, pois tinha mais um dia de dispensa médica, então o que fiz, fui com meu maridão resolver algumas coisas e depois voltei para casa, para mais um desespero: arrumar a casa! Nunca senti tanta falta de Tereza (para quem não teve a oportunidade de conhecer, Tereza foi nossa empregada pelo tempo que moramos em Salvador, uma pessoa muito boa, que durante estes anos cuidou muito bem de nós e de nossa casa, uma Baiana "arretada", que cozinhava como ninguém), mas agora o vidão acabou, tenho que arrumar a bagunça de toda a família, tirar os brinquedos no meio da casa, as camas, separar roupas que já haviam sido lavadas. Ufa, é coisa viu galera!!!
Depois fiz algo que gosto muito, entrei no msn para teclar com meus amigos e familiares, um momento de matar um pouco da saudade que sinto. Acho que não sinto mais por que estou sempre falando com meus pais e meus irmãos, fica faltando um que é sempre o mais atarefado, mas mesmo sem estar falando sempre, ele sabe que meu coração é sempre da família.
Tenho estado feliz também, pois vou ganhar mais uma sobrinha, "CLARA", mais uma mocinha que vem para alegrar a família "DAVIM", assim a nossa família cresce e cada fez mais se enche de alegria.
Acreditem, o meu maior desespero acabou: era com relação aos meninos. Tinha medo de como eles reagiriam por estar longe de tudo que estavam acostumados, mas para a nossa grande surpresa, eles estão amando, se adaptaram com muita facilidade, adoram ver coisas diferentes, estão curtindo aprender o Inglês, já brincam falando o pouco que já sabem, e isso para mim é um facilitador, assim posso ficar mais tranquila, deixá-los na escola sem estar me preocupando sobre como eles estão passando o dia e outras preocupações de mãe boba.
Bom, por hoje chega, acho que todos estão cansados de ler tanta besteira, mas podem ter certeza, isso sempre acaba sendo a preocupação de todos.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Remédios
Algumas semanas atrás tivemos que comprar alguns remédios com receita e pudemos vivenciar uma coisa que é diametralmente o oposto entre Brasil e Canadá.
Creio que aqui existam muito mais remédios que não precisam de prescrição médica no Brasil.
A maioria das farmácias ficam em supermercados (todos têm farmácia) ou são grandes lojas (London Drugs, Chopers Drug Mart etc.). Há a seção de remédios de prateleira e o guichê dos remédios sob prescricão. Só trabalham farmacêuticos neste setor. São pessoas que entendem as aplicações, interações, dosagem e efeitos dos remédios.
Eu estava com uma tosse danada e precisei de um xarope mais forte e de antibióticos. Mildred precisou do anticoncepcional (a médica deu uma receita para 10 meses).
Cheguei na farmácia, entreguei as receitas e a farmacêutica disse que precisaria de uns 15 minutos para preparar. Não entendi a dificuldade, mas esperei. Depois dos 15 minutos, fui buscar os remédios. Para minha surpresa, para cada remédio foi entregue somente a quantidade prescrita pelo médico. O anticoncepcional veio na emalagem original, mas o antibiótico veio somente as 20 cápsulas e o xarope, somente 200ml (20ml por dia, 10 dias, conforme a prescrição). Cada um numa embalagem com o nome do paciente e do médico, além de uma bula personalizada de 3 páginas cada... As receitas ficam retidas, inclusive a do anticoncepcional (nos próximos meses, é só chegar lá que estará tudo registrado no sistema).
Os preços também são bem diferentes do Brasil. O anticonconcepcional Yasmin é bem mais barato, já o antibiótico é caríssimo!!! O Alberta Health Care não cobre medicamentos, mas há diversos planos de medicina complementar que dão reembolso integral de todo e qualquer remédio sob prescrição.
Enquanto no Brasil se discute e se tenta implantar o sistema de venda fracionada, aqui a venda é obrigatoriamente fracionada.
Creio que aqui existam muito mais remédios que não precisam de prescrição médica no Brasil.
A maioria dos remédios para alergia, xarope para tosse, analgésicos, estômago etc. não precisam de receita. Mas, se precisa de prescrição, não tem jeitinho: tem que ir no médico e o médico tem que achar que o remédio é realmente necessário.
A maioria das farmácias ficam em supermercados (todos têm farmácia) ou são grandes lojas (London Drugs, Chopers Drug Mart etc.). Há a seção de remédios de prateleira e o guichê dos remédios sob prescricão. Só trabalham farmacêuticos neste setor. São pessoas que entendem as aplicações, interações, dosagem e efeitos dos remédios.
Eu estava com uma tosse danada e precisei de um xarope mais forte e de antibióticos. Mildred precisou do anticoncepcional (a médica deu uma receita para 10 meses).
Cheguei na farmácia, entreguei as receitas e a farmacêutica disse que precisaria de uns 15 minutos para preparar. Não entendi a dificuldade, mas esperei. Depois dos 15 minutos, fui buscar os remédios. Para minha surpresa, para cada remédio foi entregue somente a quantidade prescrita pelo médico. O anticoncepcional veio na emalagem original, mas o antibiótico veio somente as 20 cápsulas e o xarope, somente 200ml (20ml por dia, 10 dias, conforme a prescrição). Cada um numa embalagem com o nome do paciente e do médico, além de uma bula personalizada de 3 páginas cada... As receitas ficam retidas, inclusive a do anticoncepcional (nos próximos meses, é só chegar lá que estará tudo registrado no sistema).
Os preços também são bem diferentes do Brasil. O anticonconcepcional Yasmin é bem mais barato, já o antibiótico é caríssimo!!! O Alberta Health Care não cobre medicamentos, mas há diversos planos de medicina complementar que dão reembolso integral de todo e qualquer remédio sob prescrição.
Enquanto no Brasil se discute e se tenta implantar o sistema de venda fracionada, aqui a venda é obrigatoriamente fracionada.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Lavador de para-brisa
Esta aconteceu hoje e não poderia passar sem registro imediato.
Eu me aproximava de um cruzamento movimentado no centro de Calgary hoje pela manhã quando vi um sujeito do lado de fora do seu carro, limpando o para-brisa (natural, temperatura +1, neve derretendo, a maior lama, tudo sujo...). Quando cheguei mais perto, vi que havia um motorista dentro do carro.
Mais perto ainda, percebi o inacreditável: tratava-se de um mendigo lavando o para-brisa dos carros para levantar um trocado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Onde é que estamos morando mesmo???
Detalhe 1: o motorista NÃO deu trocado nenhum, conforme pedem insistentemente as autoridades locais.
Detalhe 2: há 300 mendigos em Calgary, todos homens, todos cadastrados pela prefeitura, todos com amplo acesso aos abrigos, programas de ressocialização, ajuda financeira, alimentícia etc. Mas continuam na rua, mesmo quando os termômetros batem no -30C...
Eu me aproximava de um cruzamento movimentado no centro de Calgary hoje pela manhã quando vi um sujeito do lado de fora do seu carro, limpando o para-brisa (natural, temperatura +1, neve derretendo, a maior lama, tudo sujo...). Quando cheguei mais perto, vi que havia um motorista dentro do carro.
Mais perto ainda, percebi o inacreditável: tratava-se de um mendigo lavando o para-brisa dos carros para levantar um trocado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Onde é que estamos morando mesmo???
Detalhe 1: o motorista NÃO deu trocado nenhum, conforme pedem insistentemente as autoridades locais.
Detalhe 2: há 300 mendigos em Calgary, todos homens, todos cadastrados pela prefeitura, todos com amplo acesso aos abrigos, programas de ressocialização, ajuda financeira, alimentícia etc. Mas continuam na rua, mesmo quando os termômetros batem no -30C...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Calgary Tower
No dia 12/01 fomos passear no centro com Larissa, Marcelo e os gêmeos Beatriz e Lucas.
Começamos pelo Olympic Plaza, a praça mais importante de Calgary, construída na época da olimpíadas de inverno de 88 (este evento foi um marco na história da cidade). Durante o inverno, o centro da praça se transforma num rinque de patinação público freqüentado por muita gente.
Esticamos o passeio pelo Stephen Avenue Mall, que é um trecho de 4 quadras da 8a Avenida. Como era domingo, as lojas estavam fechadas.
O dia estava muito bonito, temperatura agradável e decidimos conhecer a Calgary Tower, o principal marco da cidade. Construída em 1968, a torre tem 190 metros de altura, um restaurante giratório e um terraço panorâmico com um trecho de piso em vidro.
Do terraço de observação dá para ver quase toda a cidade e as montanhas rochosas, que cortam o Canadá a oeste de Calgary (forma a divisa entre as províncias de Alberta e British Columbia). Foi um grande passeio e o dia não poderia estar mais claro, para uma ótima observação da paisagem.
Uma das coisas que mais me chamaram atenção foram os guindastes de obra. Só na área do centro, contei 16 guindastes, ou seja, 16 obras de grande porte em execução simultânea. Um claro sinal da força econômica da cidade, que está em franco crescimento. Alberta é o motor do Canadá.
Selecionamos algumas fotos abaixo, mas tem mais no nosso álbum da web.
Começamos pelo Olympic Plaza, a praça mais importante de Calgary, construída na época da olimpíadas de inverno de 88 (este evento foi um marco na história da cidade). Durante o inverno, o centro da praça se transforma num rinque de patinação público freqüentado por muita gente.
Esticamos o passeio pelo Stephen Avenue Mall, que é um trecho de 4 quadras da 8a Avenida. Como era domingo, as lojas estavam fechadas.
O dia estava muito bonito, temperatura agradável e decidimos conhecer a Calgary Tower, o principal marco da cidade. Construída em 1968, a torre tem 190 metros de altura, um restaurante giratório e um terraço panorâmico com um trecho de piso em vidro.
Do terraço de observação dá para ver quase toda a cidade e as montanhas rochosas, que cortam o Canadá a oeste de Calgary (forma a divisa entre as províncias de Alberta e British Columbia). Foi um grande passeio e o dia não poderia estar mais claro, para uma ótima observação da paisagem.
Uma das coisas que mais me chamaram atenção foram os guindastes de obra. Só na área do centro, contei 16 guindastes, ou seja, 16 obras de grande porte em execução simultânea. Um claro sinal da força econômica da cidade, que está em franco crescimento. Alberta é o motor do Canadá.
Selecionamos algumas fotos abaixo, mas tem mais no nosso álbum da web.
Desenho esquemático da Torre de Calgary
Este é o Stephen Avenue Mall, uma alameda de lojas no Centro de Calgary
A turma do passeio no Stephen Avenue Mall
A turma toda deitada sobre o piso de vidro da Torre de Calgary
A torre vista de baixo
Gabi e Lucas apreciando a vista
Nós lá em cima
Vista do sudoeste de Calgary, com as Montanhas Rochosas ao fundo
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Carteira de Motorista
Esta semana terminei de tirar minha carteira de motorista, categoria 5. Agora posso dirigir à vontade pelas ruas de Calgary...
O processo todo levou um mês, entre traduções, validações e preguiça da minha parte...
Aqui em Alberta, funciona assim. A partir dos 14 anos a pessoa já pode fazer a prova teórica e tirar a carteira de motorista, categoria 7, que permite dirigir acompanhado de uma pessoa maior de 18 e que tenha carteira categoria 5. Depois de 2 anos de aprendizado (a partir dos 16 anos de idade!), pode se fazer o teste para categoria 5 e dirigir sozinho, sem qualquer restrição de horário ou local!
A gente tira a carteira em qualquer "registry office", uma espécie de cartório privado para prestação de alguns serviços públicos burocráticos. Eles fornecem um livreto para a gente estudar e a prova é no computador (pode ser em papel também). Tem que acertar 25 das 30 questões e o resultado sai na hora. Para não ter que cumprir os 2 anos de "aprendizado", tive que traduzir minha CNH (50,00CAD) e renunciá-la no dia da prova teórica (17,00CAD). A gente recebe um papelzinho e a carteirinha chega pelo correio, em uma semana. Fiz a prova em meados de dezembro e acertei 27 das 30! Se der mole, leva pau e lá se vão mais 17.00CAD para fazer a prova de novo...
O registry manda a papelada para a sede do departamento de trânsito de Alberta, em Edmonton, para validação do histórico de habilitação no Brasil. Depois de 2 semanas, o sistema é atualizado e a gente pode fazer a prova de direção (55,00CAD). Em tese minha carteira internacional também não poderia ser utilizada, pois é proibido portar mais de uma habilitação... Mas foi com ela que me virei até esta semana... Até o seguro do carro foi feito usando a internacional...
Poderia ter feito a prova prática desde o início de janeiro, mas fui adiando (somos brasileiros, ou o que???). Só tomei a iniciativa mesmo depois de receber uma carta da seguradora dizendo que minha carteira internacional só poderia ser usada por 90 dias da minha chegada ao Canadá, conforme leis de Alberta, ou seja, até dia 31/01! Marquei a prova para o domingo, 27, e, pela segunda vez na vida, me dirigi para o teste de direção... dirigindo! Relembrei meus 18 anos...
O teste foi simples, mas o avaliador é rigoroso. O bom de ter feito num domingo de manhã, caindo neve, foi que o trânsito estava bem tranqüilo e não tinha ninguém na rua! Mantive a velocidade sob controle, não esqueci de dar seta, fiz a baliza, estacionei na subida e na descida, fiz todas as conversões à direita e à esquerda, parei nas placas de pare e voltamos para a base. No final das contas, o avaliador ainda marcou 35 pontos no meu prontuário (ao lado), mas o corte era 75 e passei sem problemas.
Somei pontos em detalhes: não acionei o freio de mão quando estacionei na subida, não olhei para trás para mudar de faixa (fui só pelo retrovisor), só olhei para trás e para a direita antes de dar ré (não olhei para a esquerda) e não parei totalmente antes da calçada, ao sair do estacionamento. Faltas como excesso de velocidade em zona escolar, não parar na placa de pare, cruzar sinal vermelho e coisas do gênero dão reprovação automática. Fiz tudo certinho
Os hábitos ao volante têm que mudar, pois algumas regras são diferentes. Mas o que muda mais é a atitude. Uma das maiores diferenças é que aqui se pode virar à direita quando o sinal vermelho, desde que não venha nenhum carro e não tenha nenhum pedestre atravessando a rua. Também é permitido virar à esquerda num cruzamento controlado por sinal, desde que não venha carro no sentido contrário e o sinal esteja verde. Quando se vê uma placa de pare, é pare mesmo. Nas zonas de escola de de lazer, o limite é 30km/h. Nas ruas normais, 50km/h. Nas avenidas e vias expressas, varia de 60 a 100km/h.
O pedestre, naturalmente, tem outro tratamento em relação ao Brasil. Uma pessoa pode até tomar uma multa por atravessar uma rua fora da faixa ou quando o sinal estiver fechado para o pedestre, mas os carros sempre respeitarão o direito de passagem do pedestre na faixa.
Outro detalhe que o motorista brasileiro tem que se acostumar são os cruzamentos com placa de pare para os quatro sentidos. Totos têm que parar totalmente o carro (mesmo que não tenha mais ninguém no cruzamento) e a prioridade é a seguinte: primeiro qualquer pedestre e depois os carros obedecem a ordem de chegada ao cruzamento. Se chegarem dois carros ao mesmo tempo, o da direita tem a preferência. Não precisa de guarda, de sinal nem de câmera. Todo mundo obedece.
A única coisa que o canadense peca é na velocidade. É muito comum ver o pessoal a 60 na zona de 50, a 100 na zona de 80 ou a 120 na zona de 100. Procuro me manter nos limites, como fazia no Brasil.
Fora as peculiaridades nas leis de trânsito e a civilidade do motorista canadense, os brasileiros vão ter que se acostumar ainda a dirigir carro automático, mas aí já é assunto para outro post.
O processo todo levou um mês, entre traduções, validações e preguiça da minha parte...
Aqui em Alberta, funciona assim. A partir dos 14 anos a pessoa já pode fazer a prova teórica e tirar a carteira de motorista, categoria 7, que permite dirigir acompanhado de uma pessoa maior de 18 e que tenha carteira categoria 5. Depois de 2 anos de aprendizado (a partir dos 16 anos de idade!), pode se fazer o teste para categoria 5 e dirigir sozinho, sem qualquer restrição de horário ou local!
A gente tira a carteira em qualquer "registry office", uma espécie de cartório privado para prestação de alguns serviços públicos burocráticos. Eles fornecem um livreto para a gente estudar e a prova é no computador (pode ser em papel também). Tem que acertar 25 das 30 questões e o resultado sai na hora. Para não ter que cumprir os 2 anos de "aprendizado", tive que traduzir minha CNH (50,00CAD) e renunciá-la no dia da prova teórica (17,00CAD). A gente recebe um papelzinho e a carteirinha chega pelo correio, em uma semana. Fiz a prova em meados de dezembro e acertei 27 das 30! Se der mole, leva pau e lá se vão mais 17.00CAD para fazer a prova de novo...
O registry manda a papelada para a sede do departamento de trânsito de Alberta, em Edmonton, para validação do histórico de habilitação no Brasil. Depois de 2 semanas, o sistema é atualizado e a gente pode fazer a prova de direção (55,00CAD). Em tese minha carteira internacional também não poderia ser utilizada, pois é proibido portar mais de uma habilitação... Mas foi com ela que me virei até esta semana... Até o seguro do carro foi feito usando a internacional...
Poderia ter feito a prova prática desde o início de janeiro, mas fui adiando (somos brasileiros, ou o que???). Só tomei a iniciativa mesmo depois de receber uma carta da seguradora dizendo que minha carteira internacional só poderia ser usada por 90 dias da minha chegada ao Canadá, conforme leis de Alberta, ou seja, até dia 31/01! Marquei a prova para o domingo, 27, e, pela segunda vez na vida, me dirigi para o teste de direção... dirigindo! Relembrei meus 18 anos...
O teste foi simples, mas o avaliador é rigoroso. O bom de ter feito num domingo de manhã, caindo neve, foi que o trânsito estava bem tranqüilo e não tinha ninguém na rua! Mantive a velocidade sob controle, não esqueci de dar seta, fiz a baliza, estacionei na subida e na descida, fiz todas as conversões à direita e à esquerda, parei nas placas de pare e voltamos para a base. No final das contas, o avaliador ainda marcou 35 pontos no meu prontuário (ao lado), mas o corte era 75 e passei sem problemas.Somei pontos em detalhes: não acionei o freio de mão quando estacionei na subida, não olhei para trás para mudar de faixa (fui só pelo retrovisor), só olhei para trás e para a direita antes de dar ré (não olhei para a esquerda) e não parei totalmente antes da calçada, ao sair do estacionamento. Faltas como excesso de velocidade em zona escolar, não parar na placa de pare, cruzar sinal vermelho e coisas do gênero dão reprovação automática. Fiz tudo certinho
Os hábitos ao volante têm que mudar, pois algumas regras são diferentes. Mas o que muda mais é a atitude. Uma das maiores diferenças é que aqui se pode virar à direita quando o sinal vermelho, desde que não venha nenhum carro e não tenha nenhum pedestre atravessando a rua. Também é permitido virar à esquerda num cruzamento controlado por sinal, desde que não venha carro no sentido contrário e o sinal esteja verde. Quando se vê uma placa de pare, é pare mesmo. Nas zonas de escola de de lazer, o limite é 30km/h. Nas ruas normais, 50km/h. Nas avenidas e vias expressas, varia de 60 a 100km/h.
O pedestre, naturalmente, tem outro tratamento em relação ao Brasil. Uma pessoa pode até tomar uma multa por atravessar uma rua fora da faixa ou quando o sinal estiver fechado para o pedestre, mas os carros sempre respeitarão o direito de passagem do pedestre na faixa.
Outro detalhe que o motorista brasileiro tem que se acostumar são os cruzamentos com placa de pare para os quatro sentidos. Totos têm que parar totalmente o carro (mesmo que não tenha mais ninguém no cruzamento) e a prioridade é a seguinte: primeiro qualquer pedestre e depois os carros obedecem a ordem de chegada ao cruzamento. Se chegarem dois carros ao mesmo tempo, o da direita tem a preferência. Não precisa de guarda, de sinal nem de câmera. Todo mundo obedece.
A única coisa que o canadense peca é na velocidade. É muito comum ver o pessoal a 60 na zona de 50, a 100 na zona de 80 ou a 120 na zona de 100. Procuro me manter nos limites, como fazia no Brasil.
Fora as peculiaridades nas leis de trânsito e a civilidade do motorista canadense, os brasileiros vão ter que se acostumar ainda a dirigir carro automático, mas aí já é assunto para outro post.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Novo carro velho
Agora estamos motorizados! Estava duro enfrentar o inverno sem carro, especialmente por causa dos meninos. O transporte público de Calgary é muito bom, mas a cidade é muito grande nem todos os pontos são interligados por itinerários práticos.
No dia 6/1 nós fomos a Three Hills, ao norte de Calgary, buscar nosso "novo carro velho". Chegamos ao Rod por referência do pessoal da igreja (Miro, Artur e Jaime). O cara é um mecânico que vive de comprar carros velhinhos, dar uma arrumada e revender. São bons carros! Como nosso interesse era comprar um "winter beeter" para enfrentar o inverno (até que a coisa se estabilize e a gente compre um carro novo, ou mais novo), fomos até Three Hills.
No dia em que fomos buscar a van, em Three Hills, Mildred não deu chance: assumiu logo o controle!
No dia 6/1 nós fomos a Three Hills, ao norte de Calgary, buscar nosso "novo carro velho". Chegamos ao Rod por referência do pessoal da igreja (Miro, Artur e Jaime). O cara é um mecânico que vive de comprar carros velhinhos, dar uma arrumada e revender. São bons carros! Como nosso interesse era comprar um "winter beeter" para enfrentar o inverno (até que a coisa se estabilize e a gente compre um carro novo, ou mais novo), fomos até Three Hills.
Conversamos por telefone e fomos dar uma olhada nos carros no dia 25/12. Queríamos uma Caravan 97, mas já tinha uma pessoa na frente. Terminamos ficando com uma Dodge Caravan 94. A danada anda bem e é bastante confortável. Tem até piloto automático (não se enganem, é tão comum quanto direção hidráulica ou vidros elétricos), ABS e air bag duplo! O porta-malas é cavernoso e tem bagageiro no teto. Acho que ela ainda vai carregar muita coisa na vida...
Nossa condutora no estacionamento do prédio
Day care
Tanto Gabi como Lucas estão indo para o day care, que equivale a nossa creche, no Brasil. Como tantos outros, trata-se de um serviço escasso aqui em Calgary. Por isso, consideramos que demos muita sorte: um dos melhores day cares da cidade fica na nossa rua (500 metros ao sul) e tinha vagas para os dois!
Antes de conhecer este day care (Just For You), chegamos a matricular Lucas em outro, pois Gabriela já começara a freqüentar o jardim de infância. Funcionava numa casa (como a maioria) e nós achamos legal, mas Lucas não se adaptou... Então nossa amiga Cecília indicou um outro, que seu filho ia quando eles chegaram, e disse que havia uma brasileira que trabalhava lá (Luísa, que já está no Canadá há vários anos).
Procuramos e deu certo. Primeiramente havia vaga para Gabi todos os dias e, para Lucas, só 3 dias por semana. Depois 2 crianças da sala de Lucas sairam e agora estão ambos todos os dias. O Just For You é muito bem equipado e as pessoas são muito bacanas e atenciosas. Ocupa várias salas em um prédio comercial e é um dos poucos totalmente credenciados pelo departamento de educação de Alberta. Eles fazem atividades externas com as crianças, têm um playground, boa alimentação etc.
Costumamos deixar os meninos lá por volta das 8:00 e seguimos a nossa rotina. Buscamos lá para as 5:30 ou 6:00 (dependendo do trânsito...). Gabi vai para a escola e volta no ônibus do próprio day care (tem outros 3 coleguinhas de classe dela no mesmo day care!). A aula dela é das 12:50 às 15:30.
E assim vamos construindo nossa rotina aqui no Canadá!
Antes de conhecer este day care (Just For You), chegamos a matricular Lucas em outro, pois Gabriela já começara a freqüentar o jardim de infância. Funcionava numa casa (como a maioria) e nós achamos legal, mas Lucas não se adaptou... Então nossa amiga Cecília indicou um outro, que seu filho ia quando eles chegaram, e disse que havia uma brasileira que trabalhava lá (Luísa, que já está no Canadá há vários anos).
Procuramos e deu certo. Primeiramente havia vaga para Gabi todos os dias e, para Lucas, só 3 dias por semana. Depois 2 crianças da sala de Lucas sairam e agora estão ambos todos os dias. O Just For You é muito bem equipado e as pessoas são muito bacanas e atenciosas. Ocupa várias salas em um prédio comercial e é um dos poucos totalmente credenciados pelo departamento de educação de Alberta. Eles fazem atividades externas com as crianças, têm um playground, boa alimentação etc.
Costumamos deixar os meninos lá por volta das 8:00 e seguimos a nossa rotina. Buscamos lá para as 5:30 ou 6:00 (dependendo do trânsito...). Gabi vai para a escola e volta no ônibus do próprio day care (tem outros 3 coleguinhas de classe dela no mesmo day care!). A aula dela é das 12:50 às 15:30.
E assim vamos construindo nossa rotina aqui no Canadá!
O frio 1
Uma das características mais marcantes do Canadá é o frio. É quase sempre a primeira coisa que vem em mente quando se fala deste lugar. Para quem está imigrando, uma das primeiras perguntas que se faz é se topa morar no frio. Se não topa, sem chances (no nosso caso, o calor incomoda bem mais que o frio!!!). E só agora, final de janeiro, é que o bicho começou a pegar de verdade: no domingo, 27, à noite, a temperatura estava em -26C, mas o vento gelado de 50km/h levou a sensação térmica a -44C!!!
Quase todo mundo que eu conheço e que nunca enfrentou o frio de verdade não faz idéia do que é o inverno por estas bandas.
De fato, é muito mais confortável colocar uma bermuda, uma camiseta e uma havaiana e sair por aí do que ter que colocar um monte de roupa e se preocupar com a temperatura que vai fazer onde você vai estar, por onde se vai andar etc. Mas o frio é parte da vida canadense e não dá pra fugir dele!
Acho que é tudo uma questão de hábito. A previsão do tempo, algo que a gente pouco dá bola no Brasil, pelo menos morando no nordeste, é consulta obrigatória todos os dias, principalmente de manhã. A partir daí, "dimensionamos" as roupas que vamos ter que vestir no dia. Tem que saber qual será a temperatura ao longo do dia e se vamos ter que sair na rua, caminhar etc. Depois de muito pouco tempo e a boa vontade - comum aos imigrantes - tanto o físico quanto o psicológico já está ajustado às temperaturas baixas.
A regra básica é vestir-se em camadas (a regra da cebola!). Primeiro vêm as roupas justas, em geral uma camiseta e "long johns" (calças), de preferência colados ao corpo. Depois uma calça e uma blusa (que pode ser mais fina ou mais grossa, dependendo das condições). Pode colocar mais uma blusa ou um suéter por cima e, para completar, o casaco. Há vários tipos de casaco e sua função mais importante é bloquear o vento. Se a temperatura for muito baixa ou se for ficar muito tempo do lado de fora, é melhor usar um casaco que também seja um bom isolante térmico. O capuz do casaco pode ter um papel essencial em condições de vento muito forte.
Além das roupas, é bom avaliar se vai precisar de gorro, cachecol e luvas. Afinal, orelhas, pescoço e mãos sofrem bastante com o frio! As luvas podem ser de vários tipos e funções. Há luva para dirigir, luva de tecido, luva de couro, luva para esquiar, luva fina, luva grossa etc. Para condições extremas - e para as crianças menores - usa-se aquelas luvas sem os dedos. A proteção para as orelhas é imprescindível nas temperaturas mais baixas ou com muito vento. Sair com as orelhas desprotegidas pode ser uma das experiências mais desagradáveis que o inverno pode proporcionar...
Cuidados também para os pés. Dimensionar mal, meias e calçados pode gerar grande sofrimento se tiver que andar muito! Se tiver nevado (ou nevando!), não tem jeito: tem que usar botas de neve. Sem neve, pode-se arriscar um tênis ou sapato social, mas tem que se calcular bem a meia. Se for caminhar muito e a temperatura etiver muito baixa, pode ser uma boa idéia usar as botas de neve, pois protejem muito bem do frio. Há exceções: Mildred, por exemplo, vai para a aula de scarpin mesmo nos dias mais frios até agora (-19C) e caminha 8 quadras!!!
Outra coisa que se deve saber: só se sente frio do lado de fora. Não espere sentir frio dentro de casa, no trabalho, nas lojas, no ônibus ou carro (neste último, depois que o motor esquentar, pois é de lá que vem o calor do aquecedor). São todos lugares aquecidos (alguns até demais!). Esta é a razão principal para vestir-se em camadas. Toda vez que se entra num lugar fechado, é quase automático começar a tirar as camadas de fora (casaco, gorro, cachecol, luvas). Se estiver muito quente, é sempre bom ter como redimensionar a roupa tirando mais uma camada. Acreditem: o mal estar do calor é muito pior do que o do frio!
A percepção do que é um dia quente ou frio muda muito rapidamente depois que a gente passa a conviver com o inverno de verdade. Outro dia mesmo aproveitamos que estava um dia quente (zero grau) para abrir as janelas da casa e ventilar um pouco. Fiquei o mais perto possível da janela, sem camisa!!!
É isso. Frio e Canadá são quase sinônimos. Para vir para cá para morar, tem que ter tolerência com o frio e perseverança, pois, afinal, depois de toda esta friaca vem a primavera e estaremos todos de bermuda e camiseta quando os termômetros baterem nos 15 graus positivos!!!
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